quarta-feira, 24 de julho de 2013

Álcool

Sentado na calçada, com a ilusão de estar em companhia da solidão, o vento gelado carrega consigo a vida, compartilhando-a comigo, um brinde!

Creio estar consumindo essa vida, mas é outra ilusão. Essa dose é que me consome em cada veia que meu sangue percorre, faz meu coração pulsar e me traz a possibilidade de questionar. 

Puro ar, aonde você se esconde? Não, perdoe-me. Eu é que estou escondido, sobrevivendo nas certezas de pessoas incertas que consomem a ganância como forma de matar a sede.

Deitado na calçada, um homem alucinado está encolhido, julgado pela sociedade como inferior, mas não percebem que consomem do mesmo ar.

Essa vida está me deixando zonzo. A lua parece estar observando meu mundo girar. Amanhã mais uma ressaca, e aquele pensamento: Nunca mais vou consumir isso novamente!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Cigarro.


Descomedido, perfilho o ódio que preenche o vazio descomunal
Faço uso de todas as forças para agredir meus sentimentos,
 não dou permissão para que atravessem a ponte destinada a realidade sórdida.
 A dor consola-me ao dimanar por todo meu corpo. 
E o desejo de conviver nessa sociedade, dissipa-se como a fumaça do cigarro.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Utopia


Teus braços emergem do acaso, tão inesperados como um relâmpago que faz dos céus uma tela de pintura. 
Tu ousas usar teu sorriso como a principal cor da paleta, misturando-se em sentimentos utópicos. 
Teus sonhos aparentam estar diluídos em tua respiração, que com tal suavidade penetram em minha alma. 
Teus olhos disparam o flash que me deixas cego. O real agora se transformou em uma fotografia guardada em minha memória. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Café

As paredes estão caindo. Algo concreto, agora cobre o piso em fragmentos.
O branco e o preto predominam, a poeira levanta para o café da manhã.
Vestígios de uma xícara com sangue. Um corpo deitado sobre ela.
Um corpo já sem se importar com o calor que o sol oferece.
O desespero, o medo, o ódio, a fúria... Basta apertar o gatilho,
E você caiu na armadilha.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Humilde


Humilde é a lua, que apesar de ilustre, cala-se num canto escuro.
Oferece à inaturalidade das lâmpadas um emprego. 
A mesma observa-nos num bosque, com um doce olhar.
Envolvo-te em meus braços, a fim de encontrar paz.
Teu peito exprime a sintonia dos sentimentos, a sincronia nas batidas. 
Teu coração implora por mais um beijo.



terça-feira, 26 de março de 2013

Imagine.


Aqui estou novamente, olhando para uma página em branco, procurando palavras para expressar meus sentimentos, procurando compreender algumas situações que ocorrem sem uma justificativa aparente. Posso dizer que estou novamente em busca de respostas? Claro, qual a graça da vida sem a obtenção de conhecimentos?

Imagine, vamos, imagine uma pessoa, caminhando por uma rua de paralelepípedos húmidos, uma rua estreita, rodeada por um gramado de tonalidade verde cítrico, refletindo em seus olhos os raios de luz que o sol nos oferece como presente. Imagine, esses raios sendo bloqueados e dando vida as sombras das árvores, das folhas avermelhadas balançando com um vento sereno, que gera um movimento charmoso ao cabelo da moça que está vindo em direção da pessoa que imaginamos no começo. Diversos pássaros sobrevoando as árvores, alguns beliscando restos de alimentos pelo chão. Imagine alguns assentos próximos ao gramado, e em um desses assentos, um senhor de idade lendo um livro em tom alto, e ao seu lado uma criança, de vestido amarelo, escutando com atenção e emoção o que o senhor conta. Imagine flores de diversas cores enfeitando outros caminhos dessa rua. E de repente, o tempo para, tornando-se um espectador e, tudo se torna lento. Você olha para a criança, e nota um sorriso sincero em seu rosto. Você desvia o olhar, e vê os pássaros lentamente batendo as asas enquanto percorrem as correntes de ar. Você repara que as folhas avermelhadas caem lentamente, dançando no ar. E finalmente, nota que nosso personagem olha fixamente para os olhos escuros da moça que vem em sua direção, lentamente.

Veja, como uma simples pausa no tempo, foi possível enxergar coisas magníficas, oportunidades que em frações de segundos podem sumir. E me pergunto todos os dias, como é possível pessoas chamarem tudo isso de “coisas simples da vida”, sendo que para mim, uma folha caindo da árvore é um sinal de vida. Simples são as pessoas, que se limitam ao conforto, esquecendo, ou mesmo nem sabendo, que são estes detalhes que nos mantém vivos, vivendo em uma natureza perfeita. E agora não imagine mais, não é necessário imaginar algo que nós podemos ver todos os dias. Valorize as coisas boas da vida, e não as simples.