Aqui estou novamente, olhando para uma página em branco,
procurando palavras para expressar meus sentimentos, procurando compreender
algumas situações que ocorrem sem uma justificativa aparente. Posso dizer que
estou novamente em busca de respostas? Claro, qual a graça da vida sem a
obtenção de conhecimentos?
Imagine, vamos, imagine uma pessoa, caminhando por uma rua
de paralelepípedos húmidos, uma rua estreita, rodeada por um gramado de
tonalidade verde cítrico, refletindo em seus olhos os raios de luz que o sol
nos oferece como presente. Imagine, esses raios sendo bloqueados e dando vida
as sombras das árvores, das folhas avermelhadas balançando com um vento sereno,
que gera um movimento charmoso ao cabelo da moça que está vindo em direção da
pessoa que imaginamos no começo. Diversos pássaros sobrevoando as árvores,
alguns beliscando restos de alimentos pelo chão. Imagine alguns assentos
próximos ao gramado, e em um desses assentos, um senhor de idade lendo um livro
em tom alto, e ao seu lado uma criança, de vestido amarelo, escutando com
atenção e emoção o que o senhor conta. Imagine flores de diversas cores
enfeitando outros caminhos dessa rua. E de repente, o tempo para, tornando-se
um espectador e, tudo se torna lento. Você olha para a criança, e nota um
sorriso sincero em seu rosto. Você desvia o olhar, e vê os pássaros lentamente
batendo as asas enquanto percorrem as correntes de ar. Você repara que as
folhas avermelhadas caem lentamente, dançando no ar. E finalmente, nota que
nosso personagem olha fixamente para os olhos escuros da moça que vem em sua
direção, lentamente.
Veja, como uma simples pausa no tempo, foi possível enxergar
coisas magníficas, oportunidades que em frações de segundos podem sumir. E me
pergunto todos os dias, como é possível pessoas chamarem tudo isso de “coisas
simples da vida”, sendo que para mim, uma folha caindo da árvore é um sinal de
vida. Simples são as pessoas, que se limitam ao conforto, esquecendo, ou mesmo
nem sabendo, que são estes detalhes que nos mantém vivos, vivendo em uma
natureza perfeita. E agora não imagine mais, não é necessário imaginar algo que
nós podemos ver todos os dias. Valorize as coisas boas da vida, e não as
simples.
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